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Plantio de Madeiras Nobres: Poupança Verde para Qualquer Tamanho

O que é madeira nobre / de lei? madeira bonita, durável e cheirosa, diz o marceneiro; existe grande demanda por madeiras nobres que não pode ser atendida com espécies nativas, por lei confinadas às áreas de preservação; mas podemos plantar espécies exóticas com madeiras tão boas quanto as nativas; num sistema de faixas florestais sobre áreas marginais o produtor rural poderá plantar uma poupança verde bastante rentável.

Para um marceneiro que consultamos a resposta foi: Madeira nobre é aquela que possui maior durabilidade, cheiro gostoso, é bonita e pode ser usada na manufatura de diversos tipos de móveis garantindo que o cliente fique muito satisfeito.

Já estamos familiarizados no Brasil, com o termo “madeiras de lei”, ou seja, espécies de madeiras nativas nobres.

O termo madeira nobre, aparece pela primeira vez no Dicionário do Engenheiro para definir determinadas espécies de madeiras de lei, que tem entre as qualidades: dureza e resistência às os infortúnios climáticos, capacidade de resistir ao ataque de insetos tais como os cupins e brocas e a ação decompositora dos fungos.

Vale lembrar aqui que o termo madeiras de lei, surgiu em setembro de 1652, quando D. João IV proibiu, por lei, por conta do corte predatório, o corte de determinadas espécies nativas das florestas do Brasil, que eram as melhores para a construção civil e naval.

As espécies, enumeradas na lei, são as chamadas “madeira de lei”, expressão usada até hoje para as espécies popularmente conhecidas como: Pau-Brasil, Jatobá, Jacarandá, Imbuías, Perobas, Cedros, Mognos, entre muitas outras da nossa flora nativa.

Essas espécies tão especiais de árvores são mais duras e resistentes por apresentarem um menor espaço entre as suas células, portanto pode-se também deduzir que têm um crescimento muito mais lento e que por isso mesmo vivem muito mais. Elas desenvolvem um cerne muito duro e produzem em seu metabolismo substâncias químicas que visam proteger o tronco dos ataques externos.

Graças a essa proteção as madeiras oriundas de árvores nativas de madeiras nobre podem vir a durar por centenas de anos, o que as tornam tão atrativas para diversas aplicações da construção civil, para manufatura de instrumentos musicais, indústria moveleira entre outras.

O fato é que os diversos ciclos econômicos do país, aliados ao desconhecimento do real valor dessa riqueza natural, fez com que boa parte dessas madeiras nobres nativas praticamente sumissem das florestas brasileiras.

Mais de 500 anos depois uma opção que se mostra a cada dia mais urgente e inteligente é do plantio de árvores madeira nobre, nesse caso com essências arbóreas, tanto nativas como as exóticas, para diminuir a pressão sobre as florestas nativas que ainda restam.

A Valorização da madeira nobre, ou seja, que apresenta boa densidade, sempre passou e passa pelo entendimento da sua procura e oferta nos mercados locais, regionais, nacionais e internacionais, determinando por fim o seu preço final.

É cada vez menor a disponibilidade de madeiras nobres, em condições ecologicamente corretas de extração, nas florestas nativas do mundo todo.

O fato é que há falta de madeira nobre em muitos países, ou seja, há demanda de consumo e não há o produto. Essa demanda por madeira só tende a crescer, pois a população humana aumenta em quantidade e complexidade. Paradoxalmente essa mesma população que cresce, pressiona pela urgente preservação dos recursos naturais, acarretando por conta disso ainda mais a valorização de mercado de madeira de fontes renováveis.

Essa grande procura por madeiras nobres no exterior onde alcança ótimos preços tende a assegurar excelentes resultados financeiros a quem investir em florestamento com tais espécies.

Nós do RDA recomendamos o plantio com madeiras nobres exóticas em faixas florestais por toda área de cultivo, exceto nas áreas de proteção permanente (as nativas não podem ser plantadas em áreas de produção para duplo proposito: equilíbrio ambiental e uso econômico). Recomendamos também o cumprimento de toda legislação ambiental e florestal. Acreditamos que o manejo de arvores exóticas reduzirá a pressão sobre os recursos florestais nativos.

Fazer uma poupança verde com faixas florestais ao redor das lavouras não é mágica, nem panaceia, sendo apenas possível a partir da seleção de determinadas espécies e de técnicas especificas de manejo, conseguindo-se como resultado as melhores características mecânicas da madeira que são altamente valorizadas, tais como resistência, durabilidade e alta densidade, semelhantes aos das mais nobres madeiras nativas.

Para a produção desse tipo de madeira pode-se utilizar áreas produtivas degradadas, áreas subaproveitadas pela agricultura ou pecuária, valorizando ainda mais a propriedade, o produtor rural e contribuindo para diminuição da ação humana sobre as florestas nativas.

É um excelente investimento financeiro para o proprietário rural pois com o plantio de madeiras nobres pode-se formar um patrimônio de bom valor, em poucos hectares de terra. Como investimento de médio e longo prazo, o resultado pode chegar a 400 vezes o valor investido, quase dez vezes mais que o rendimento da poupança bancária no mesmo período de tempo.

Esse número não é casual, pois o Brasil tem por natureza uma grande vocação florestal, por questões de clima, solo, e adaptabilidade, algumas espécies arbóreas exóticas crescem 2 vezes melhor aqui que no seu país de origem, o que torna viável seu plantio e comercialização.

Com boa dose de apoio técnico, seleção de espécies e manejos adequados, o plantio e a manutenção serão relativamente simples, ou seja, utilizando espécies arbóreas nobres que não requeiram equipamentos além daqueles já utilizados no dia-a-dia agrícola da propriedade.

Autor: Demis Lima – biólogo e arboricultor