Metodologias

1. Diagnóstico: a importância de se plantar árvores nas lavouras e pastos.

De todos os (sub) continentes, o Brasil é o mais florestado, porém após décadas de desmatamento restam menos de 53% da Amazônia ainda intacta, 52% do Cerrado e apenas 10% da Mata Atlântica . Com isso, o país-continente perdeu sua âncora climática, causando estragos significativos local e globalmente. Segundo o pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Antônio Donato Nobre, “ao longo dos anos o Brasil pareceu passar imune pela destruição da Mata Atlântica, que teve 90% de sua extensão dizimada, porque a Amazônia vinha compensando os serviços florestais perdidos”, mas com a floresta amazônica chegando perto do seu Ponto de não Retorno os 20 bilhões de toneladas de água colocadas na atmosfera por esse bioma podem não mais estar disponíveis para as regiões que representam 70% do PIB da América do Sul (Nobre, 2014). Enquanto Governo e ONGs concentram seus esforços na conservação dos remanescentes florestais a fronteira agrícola avança com o desmatamento, deixando para trás as áreas de produção totalmente desarborizadas e as escassas áreas de preservação, improdutivas.

É fácil identificar o problema: ninguém está plantando árvores em áreas de produção, seja produtor ou empresa agropecuária. Nem nativas, nem exóticas. As florestas nativas são derrubadas e substituídas por áreas de produção completamente desarborizadas! E a coação legal também não comove os produtores, quase ninguém cumpre as determinações ambientais!

Atualmente os agricultores da região de Itápolis/Borborema não têm motivação para plantar árvores por crerem que sejam incompatíveis com a produção agropecuária; crença que se sustenta na falta de informações básicas, de modelos confiáveis e experiências regulatórias traumáticas.

A Associação da Sociedade Civil RdA tem a capacidade de resolver o problema, instalando áreas demonstrativas nas lavouras de um grupo de agricultores selecionados. Em parceria com a ONG Amazonas Selva, o RdA poderá demonstrar os benefícios de se reintroduzir as árvores às áreas de produção, onde colaboram tornando o micro-clima mais úmido, contribuindo na formação de nuvens, redução da temperatura ambiente e maior conforto fisiológico dos cultivos. O modelo de plantio adotado é o das faixas florestais, circundando as lavouras ou sombreando parcialmente as pastagens.

2. Modelo de plantio: vantagens mútuas do plantio em faixas de até 3 linhas de árvores

Alguns dos serviços prestados pelas árvores às áreas de lavoura e pastagem são:
– Efeito quebra vento;
– Aumento do tempo de permanência da água útil na lavoura;
– Transpiração mais regular da lavoura, e portanto mais fotossíntese;
– Aumento de produtividade decorrente da maior fotossíntese;
– Oferta de nicho para predadores naturais de pragas agrícolas e florestais (aves, morcegos);
– Abrigo de agentes polinizadores, favorecendo tanto a produtividade agrícola (polinização) como a produção de mel.

Serviços prestados pelas lavouras às faixas florestais:

– Efeito bordadura – luz solar de dois lados, maximizando a fotossíntese;
– Produtividade florestal 2 a 3 vezes maior que na floresta em bloco;
– Efeito residual da adubação das lavouras sobre as árvores.

3. Objetivos do RdA
Desenvolver uma metodologia para motivar os produtores de Itápolis/Borborema a praticarem o RdA em suas terras. Implementar áreas demonstrativas de plantio de árvores nos municípios Itápolis, Borborema, Novo Horizonte e Taquaritinga, no estado de São Paulo, visando promover a geração de trabalho e renda com sustentabilidade.

Alguns Objetivos Específicos
A. Promover a implementação de pelo menos cinco unidades demonstrativas por ano, buscando construir uma diversidade de modelos de plantio, adequadas a diferentes paisagens. Objetivamos implantar até 25 áreas (em torno de 100ha) em 5 anos.
B. Realizar intercâmbios entre os agricultores familiares, produtores rurais e poder público, bem como a divulgação dos benefícios mútuos da relação das árvores e lavouras, na forma de oficinas, encontros e dias de campo.
C. Documentar e divulgar a metodologia empregada, atendendo à demanda por pesquisa, consultoria e capacitação para o RdA.
D. Criar um selo de origem, por meio da certificação florestal/agroecológica, abrindo metodologia de cotação e quantificação do pagamento dos serviços ambientais, fundamentada nos resultados de pesquisadores parceiros.

4. Avaliação das áreas demonstrativas do RdA
A avaliação das áreas demonstrativas será feita em parceria com pesquisadores de carreira e pela equipe do RdA, sendo que os seguintes critérios foram inicialmente definidos:

– Indicadores humanos e sociais: Interesse dos agricultores-parceiros, continuidade em participação, empenho pessoal e atração de novos interessados.
– Indicadores técnico-econômicos das culturas (custos X produtividade): Teor de húmus do solo, dinâmica da água, temperatura do solo; contagem de pragas e inimigos naturais (MIP); atividade fotossintética comparada (miolo da lavoura x bordadura x outras lavouras).
– Indicadores técnico-econômicos faixas florestais (custos x incremento florestal anual): número de exemplares x altura x DAP; projeções de crescimento e renda futura e custos de implantação e custos de manutenção.

Para estimular e premiar o agricultor persistente, estamos prevendo a remuneração de seus serviços de guia e anfitrião para todo tipo de visitação. Seja o público em geral ou o atendimemto a um pesquisador, o agricultor receberá um pró-labore pelo tempo dispendido.